Nara 20 anos


Nara Leão começou somente como Nara. Opinou. Protestou com opinião, e cantou livre. Cantou a Bossa com mais quatro. Exigiu Liberdade, liberdade. Pediu passagem. Raiou com a manhã de Liberdade. Soprou o vento de maio. Voltou a ser Nara, depois Nara Leão. Mostrou as coisas do mundo. Reavivou a bossa dez anos depois. Relembrou os seus primeiros amores. Cantou com seus amigos que eram um barato. Mandou tudo por inferno. Homenageou um amigo com açúcar e com afeto. Teve um romance popular com os novos ritmos do nordeste. Bailou. Sambou encabulada. Novamente cantou em um cantinho e um violão. Distribuiu abraços, carinhos e beijinhos sem ter fim para seus fãs. Disse onde foi garota, e nos contou seus sonhos dourados. E por fim descansou seu coração...

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Pequena homenagem a grande Dama da Bossa Nova Nara Leão q nos deixou na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um tumor inoperável aos 47 anos de idade.
Foi virar estrela lá no céu...

Lapso


Não sabia agir na presença de rapazes.Sorria de maneira sem graça,um sorriso amarelo para esconder a insegurança.Mesmo sendo enorme se fazia pequena.Quando algo aprendia não era capaz de dividir, apenas guardava.Como era estúpida, monstruosamente estúpida.Sentia prazer em viver pequenas paixões platónicas.Nunca seria capaz de amar.Nunca teria forças para amar.Com os sorrisos de falsa alegria.Como sofria em abrir esses pequenos sorrisos, cada segundo era doloroso, cada dia era sombrio.Apenas comia e assim ocupava o vazio do seu ser.A ausência completa de amigos, a ausência completa de alegrias, a ausência completa de amor.A corda estava pronta, a coragem era pouca.O pescoço quebrado.O coração parado.A dor não existia.A ausência foi completa.Apenas dormia.

Efêmero


Quando amanheceu vestiu o seu melhor sorriso.
Sabia que este novo dia seria diferente,diferente como todos os dias.
levantar,andar,viver...
Não sabia pensar.Tinha dificuldade em agir,apenas sorria.
Um sorriso cansado,sutil e apaixonado.Era sozinha,vivia na lua.
Estava certa que todos os dias eram azuis,como diferentes tonalidades de azul.

Segundo domingo de maio



No ultimo domingo,dia das mães, fomos almoçar em um restaurante de frutos do mar, cumprindo todo o ritual comercial que datas comemorativas assim merecem.
(penso que todos os dias são dias das mães,como todos os dias são dos pais,dos amantes...por assim afora.)
Assim que entrei um músico que estava se apresentado para os ilustres clientes, me chamou atenção, as pessoas agraciadas por sua música,estavam preocupados em devorar os seus camarões e se embriagar com vinho barato que eles juram se de uma safra especial,para percebe aquele ser estranho a dedilha, porém aquele ser me comoveu, me emocionou, me peguei a observá-lo e respeitar a sua arte,timidamente.Até para mim que sou um ogro em assuntos musicais,não tenho competência para debater sobre tal assunto,consegui observa o talento do tal Homem,não sei seu nome,muito menos historia,ele poderia esta ali apenas por hobby,ou para tirar seu pão de cada dia.
O que observei foi como aquele Homem,era ignorando por praticamente todos que estavam ali,pessoas que falavam aos berros q não tinham a delicadeza de dar uma aplauso,que não perceberam quando ele fez arranjos novos para Wave , eu que nada sei de violão,que ao menos parabéns pra você consigo tocar,fiquei incomodada como a recepção que o Homem tinha de sua platéia,penso que um “paredão” seria o que a maioria das pessoas ali presentes se envolveriam.O Homem estava lá nos enchendo de uma música boa,nos dando o “Tom” da tarde de domingo especial e ninguém se importava,as expressões que ele fazia ao tocar,mostravam bem que ele se sentia incomodado com tal platéia,mais também transmitia um amor pela música.Passei o almoço inteiro olhando para ele,tentei não falar alto,respeitei ao máximo aquele Homem,o amor que ele mostrou em cada música,pensei que ele também teria alguém com quem festejar este dia tão especial para os Shoppings Center,teria ele mãe,avó ,esposa;depois pensei que talvez ele fosse sozinho,órfão que estava ali tocando para o além.Pensei e senti várias coisas,mais uma coisa foi concreta o desrespeito com a arte,como o belo,que ali se mostrou tão presente,me doeu,como eu sei que também machuca outras pessoas,como provavelmente machucou aquele Homem.

PS.: Feliz Dias das mães...